Todos competem, mas um só leva o prêmio

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Vivemos todos os dias em polvorosa, em aflição de alma, em agonia existencial, porque não queremos ficar para trás na corrida por alcançar melhores posições no trabalho, na escola, em casa, na igreja. Fazemos planos, arquitetamos projetos, sonhamos acordados com a perspectiva de um dia sermos reconhecidos e aclamados por causa do nosso esforço em alcançar este ou aquele objetivo.

Muitas vezes esquecendo que somos irmãos, filhos do mesmo Pai que é Deus, colocamos-nos frontalmente contra o irmão porque não podemos dar “brecha” para que alguém tome a dianteira e fiquemos para trás na corrida, ou na disputa. Isto trás para nossa vida um sentimento terrível de competição que nos leva a viver uma vida de divisões e segregação que exclui a todos quantos nos queiram “peitar” na mesma competição. Os afastamos de nossa vida, isolando-os e, muitas vezes, rompemos com elas dedicando-lhes um ódio mortal, porque tão somente ousaram nos enfrentar na competição pelo primeiro lugar.

Nesta luta insana – porque é irracional a luta que o homem trava para sobrepor-se a outro –, não percebemos que mesmo que a disputa pareça aos meus olhos “justa”, somente uma pessoa alcançará o primeiro lugar. Ninguém mais, que esteja na mesma corrida poderá alcançá-lo e receber o prêmio almejado pelo qual se esforçou em preparar-se fisicamente e correr e lutar com afinco para se tornar digno de recebê-lo.

Muitos lutam, mas um só alcançará o prêmio…

O Apóstolo São Paulo nos adverte sobre este tipo de competição: “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? (1Cor. 9,24).”

Sabemos, sim. E, apesar de sabermos desta verdade, que o primeiro lugar é somente alcançado por uma pessoa, ainda assim, nos deixamos levar pelo espírito de competição e em nome dela, e no desejo de galgar lugares mais elevados, não paramos para raciocinar e nos contentar com o lugar a que fomos chamados a ocupar: o último lugar.